Passages from The old house

Machado de Assis

This passage, which describes the moment in which the protagonist, a priest who narrates the story in the first person, begins to realize that he is falling in love with a young girl adopted by the aristocratic household where he has gone to research documents for his history of the reign of Dom Pedro I, is one of countless examples of the writer’s psychological perception of the inner workings of his character’s mind:

“Such were my reflections as I returned home that day; it is hard to believe that such a preoccupation could weigh so heavily on the mind of a man in search of political documents; but neither is a man’s soul so small that it has no room for conflict, nor was I the historian I thought I was. I did not write the history I planned; the story I brought from there is this.”

“Tais eram as reflexões que vim fazendo, quando dali voltei nesse dia, e para quem andava à cata de documentos políticos, não é de crer que semelhante preocupação fosse de grande peso. Mas nem a alma de um homem é tão estreita que não caibam nela cousas contrárias nem eu era tão historiador como presumira. Não escrevi a história que esperava; a que de lá trouxe é esta.”


This is the masterful dialogue, in my view the pivotal point of the book, in which the matriarch of the household, fiercely opposed to her son marrying a girl of a lower social class, exposes the hypocrisy of the priest who has espoused the young couple’s cause:

“I see that you are informed about everything,” she said after a moment of silence. “They are conspiring against me. Well; what do you want from me, Your Reverence? That my son marry Lalau? It cannot be.”

“And why can’t it be?”

“Really, I don’t know what ideas have taken hold since ’31. Father Feijó is responsible. It’s a conspiracy of priests. Do you want to know why they can’t marry? Because they can’t. I do not deny what you say about her; she is a very good girl; I gave her the best education I could, perhaps better than I should have, but anyway, she has been well brought up and is ready to make a man happy. What else does her future hold? We do not live in a fairy-tale world, Your Reverence. My son is my son, and in addition to that, that is reason enough, he needs a connection with a good family. This is not a tale of princes who marry peasant girls, or of princesses who are bewitched. Be kind enough to tell me how I would give the news of such a marriage to our relatives in Minas and in Sao Paulo?”

“You may well be right, ma’am. It is a conspiracy of priests; a conspiracy of Our Lord Jesus Christ, who was born in a stable…”

“Indeed, sir; but in that case what harm is there in her marrying Vitorino? Isn’t the son of a carriage-maker a person too? Answer me! So that she should marry my son Our Lord was born in a stable; but He was not born in a stable for her to marry Vitorino… Answer me!”

“But Dona Antonia…”

“Absurd!” she said, getting up and going across to the door…”

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- Vejo que está informado de tudo, disse ela depois de um breve instante de silêncio. Conspiram contra mim. Bem; que quer de mim Vossa Reverendíssima? Que meu filho case com Lalau? Não pode ser.

- E por que não pode ser?

- Realmente, não sei que ideias entraram por aqui depois de 31. São ainda lembranças do Padre Feijó. Parece mesmo achaque de padres. Quer ouvir por que razão não podem casar? porque não podem. Não lhe nego nada a respeito dela; é muito boa menina, dei-lhe a educação que pude, não sei se mais do que convinha mas enfim, está criada e pronta para fazer a felicidade de algum homem. Que mais há de ser? Nós não vivemos no mundo da lua, Reverendíssimo. Meu filho é meu filho e, além desta razão que é forte, precisa de alguma aliança de família. Isto não é novela de príncipes que acabam casando com roceiras ou de princesas encantadas. Faça-me o favor de dizer com que cara daria eu semelhante notícia aos nossos parentes de Minas e de São Paulo?

- Pode ser que a senhora tenha razão; é achaque de padre, é achaque até de Nosso Senhor Jesus Cristo, que nasceu nas palhas…

- Sim, senhor; mas nesse caso que mal há em casar com o Vitorino? Filho de segeiro não é gente? Diga-me! Para que ela case com meu filho, Nosso Senhor nasceu nas palhas; mas para que case com o Vitorino, já não é a mesma coisa… Diga-me!

- Mas, Senhora D. Antônia. . .

- Qual! disse ela levantando-se e indo até a porta…